Em um cenário onde a ciência se apresenta cada vez mais sob o olhar público, a polilaminina avança como possível tratamento para lesões medulares, acompanhada de perto pela sociedade. Tatiana Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), descreveu a percepção da pesquisa: “É como se fosse um Big Brother”. A ideia é simples e ao mesmo tempo inquietante: cada etapa ganha visibilidade e every avanço passa pelo escrutínio das pessoas que acompanham a área.
Segundo a pesquisadora, a última etapa aprovada ocorreu na quinta-feira (26) e os estudos clínicos com pacientes devem começar no início de março. O caminho regulatório é claro: primeiro aprovação na Anvisa, depois no Comitê de Ética. “Demorou bastante tempo, porque a Anvisa ainda não tinha informação necessária e o processo era um pouco novo”, explicou Tatiana. A polilaminina, pesquisada no laboratório da Universidade Federal do Espírito Santo, representa uma forma reconstituída da laminina, proteína que sustenta estruturas teciduais no organismo. Em termos simples, Tatiana usa a imagem de um “colar de pérolas”: individualmente cada pérola não cumpre função; juntas, com a reordenação, podem retomar a função estrutural.
As aplicações começaram em dezembro, porém o monitoramento público não é exclusivo aos envolvidos no estudo formal. Há pacientes que recebem a substância por decisão judicial ou por demanda individual, o que, segundo a pesquisadora, complica a coleta de dados. “Do ponto de vista da pesquisa, atrapalha um pouco porque não temos controle total das informações. Não é no dia que a gente quer, não é na hora que a gente quer, não é na condição exatamente que a gente quer. Por outro lado, são situações que são demandas e individuais, e que a gente não tem como não atender quando existe a justificativa para tal”, afirmou.
No Espírito Santo, a prática está mais próxima do paciente, com participação direta da equipe e o apoio do Hospital São Lucas, em Vitória. Em estados mais distantes, o monitoramento depende da colaboração das equipes locais e, por vezes, das informações repassadas pela família ou pelo médico assistente.
A explicação de como a polilaminina funciona esclarece o objetivo: estimular a regeneração das fibras nervosas na região lesada da medula. A ideia é que a medula, um conjunto de fios protegidos na coluna, possa reocupar o ritmo de crescimento após o trauma. “Quando há trauma, esses fios podem ser rompidos ou comprimidos. A ideia é estimular que eles voltem a crescer”, disse Tatiana.
A comunicação aberta sobre o estudo também tem o potencial de gerar benefícios: expor a importância da pesquisa, o papel das universidades e a compreensão do que é um estudo clínico, incluindo a discussão sobre a necessidade — ou não — de um grupo controle. A reportagem reforça as informações com o contexto adicional de ações judiciais que já ocorrem para ampliar o acesso à polilaminina, o que não está previsto no protocolo tradicional, ampliando debates sobre dados e ética.
Entre as notas de apoio, o acompanhamento de pacientes depende de uma rede local de profissionais, o que nem sempre corresponde ao cenário ideal para pesquisa, mas é a realidade prática quando há demanda médica individual, especialmente no interior do estado. A narrativa de Olavo Franco, médico capixaba envolvido nas aplicações, reforça que a organização regional é essencial para manter o cuidado adequado aos pacientes enquanto a pesquisa avança.
O que é a polilaminina, afinal, e como isso se traduz em impacto? Trata-se de uma forma reconstituída da laminina, com a proposta de reorganizar moléculas para recuperar a função estrutural. Em termos visuais para facilitar a compreensão: a polilaminina atua como um “cola” que tenta reconectar estruturas nervosas, com o objetivo de favorecer a regeneração das fibras na lesão medular. O estudo, que já está há mais de duas décadas em desenvolvimento, teve início na universidade fluminense e, desde então, segue como uma área de grande interesse para avanços terapêuticos. As aplicações começaram em dezembro e, mesmo com o suporte de equipes clínicas, o andamento depende de regulamentação, ética e da resposta clínica observada nos primeiros pacientes.
Veja o cenário em que a pesquisa caminha: ciência com potencial, dilemas éticos, evidências em construção e uma sociedade curiosa que não tira os olhos do laboratório. Precisamos manter o equilíbrio entre comunicação clara, proteção de pacientes e integridade de dados, especialmente quando o tema é a saúde e a qualidade de vida das pessoas.