A menopausa é uma passagem crucial na vida da mulher, uma mudança que se reflete não apenas no corpo, mas também no cérebro, na cognição e na saúde mental. O estudo, que analisou dados de quase 125.000 mulheres do UK Biobank, classifica as participantes como pré-menopausa, pós-menopausa e pós-menopausa com uso de TRH. A idade média de início da menopausa ficou em torno de 49 anos. Os resultados apontam que a menopausa está associada a sono pior, maior vulnerabilidade a ansiedade e depressão, e alterações estruturais no cérebro, com reduções significativas no volume da massa cinzenta, especialmente no hipocampo, no córtex entorrinal e no cingulado anterior. Esses locais são críticos para aprendizagem, memória, regulação emocional e atenção, sendo relevantes também nos estágios iniciais da doença de Alzheimer.
O sono é extremamente importante, pois auxilia na consolidação de memórias e na limpeza de resíduos tóxicos do cérebro, processos essenciais para a memória, a saúde cerebral e a função imunológica.
Ao investigar o papel da TRH, o estudo revela que o tratamento não reverte a redução da massa cinzenta associada à menopausa. Além disso, houve indicação de que mulheres que usavam TRH apresentavam níveis mais elevados de ansiedade e depressão em comparação com aquelas que nunca utilizaram a terapia, embora análises adicionais sugiram que esses sintomas já estivessem presentes antes do início do tratamento. Um benefício apontado foi na velocidade psicomotora: as mulheres pós-menopáusicas que usavam TRH tiveram tempos de reação mais rápidos do que as que nunca utilizaram TRH, sugerindo que a intervenção pode oferecer algum efeito cognitivo específico, ainda que não seja uma solução automática para a redução de massa cinzenta.
A literatura sobre TRH permanece inconclusiva: estudos variam entre apontar aumento do risco de demência e indicação de possível redução desse risco. Além disso, não é claro se diferentes formulações, vias de administração ou durações de uso produzem efeitos diferentes, e há sinais de que muitas mulheres não atingem níveis ideais de estrogênio com a dose prescrita. Em termos práticos, isso destaca a dificuldade de se chegar à dose/via ideais para cada mulher, reforçando a necessidade de avaliação cuidadosa e personalizada.
Paralelamente, o que a ciência tem mostrado de forma consistente é o papel protetor de hábitos de vida saudáveis para a saúde cerebral. Exercícios regulares, atividades cognitivamente desafiadoras (como aprender um novo idioma ou jogar xadrez), alimentação balanceada, sono de qualidade e vínculos sociais fortes aparecem como estratégias acessíveis para mitigar o declínio cognitivo relacionado ao envelhecimento e à demência. A atividade física pode inclusive aumentar o tamanho do hipocampo, contribuindo para a resiliência cognitiva.
Para líderes e profissionais que acompanham equipes em períodos de transição de vida, esses achados traduzem-se em lições práticas: recolocar a saúde mental no centro do bem-estar corporativo, comunicar riscos e decisões com clareza, e investir em hábitos que promovam autonomia cognitiva e bem-estar sustentáveis a longo prazo. A frase de fundo é simples, mas poderosa: não existe caminho único. Combinar uma avaliação médica cuidadosa da TRH com um estilo de vida ativo, saudável e socialmente conectado oferece uma base mais estável para enfrentar as mudanças inerentes a essa fase da vida.
Em síntese, o estudo reforça que a menopausa impacta não apenas sintomas imediatos, mas também o cérebro e a saúde mental ao longo do tempo. A TRH pode trazer benefícios específicos, como a manutenção da velocidade psicomotora, mas não se apresenta como solução única para a preservação da massa cinzenta. Por isso, a decisão sobre TRH deve ser individualizada, com monitoramento de dose, via de administração e critérios de eficácia, sempre aliados a hábitos de vida que fortalecem a resiliência cerebral. A mensagem para 2026 é clara: combine informação confiável, decisões personalizadas e estilos de vida que promovam bem-estar integral, para uma vida mais consciente, produtiva e sustentável.
🔍 Perspectiva baseada na notícia: Estudo revela como a menopausa afeta o cérebro, a cognição e a saúde mental das mulheres
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