Em um território onde a ciência de dados cruza com a neurociência, a notícia nos convida a refletir sobre o que significa confiar na máquina para decisões de saúde mental. Uma pesquisa conduzida por um professor da USP demonstra que métodos baseados em Inteligência Artificial podem diagnosticar transtornos mentais com around 90% de acerto, utilizando imagens de ressonância magnética para treinar o algoritmo. O feito foi reconhecido internacionalmente quando o pesquisador Francisco Rodrigues recebeu a Medalha da Fundação Alexander von Humboldt, premiando-o entre 20 cientistas de excelência e concedendo 60 mil euros para que ele possa continuar a pesquisa na Alemanha por um ano.
Além da classificação, o projeto explora caminhos ainda mais audaciosos: para entender a dinâmica cerebral, a equipe recorre a minicérebros — estruturas criadas com células do cérebro de embriões de animais que crescem em placas. Com esse modelo, o objetivo é observar quais alterações neurais surgem em diferentes transtornos, testar intervenções e entender como poderia reduzir a dessincronização entre redes neurais. A promessa é sedutora: no futuro, a IA poderia ler, de modo indireto, o que se passa na mente de alguém antes mesmo de surgirem os sintomas, ajudando médicos a diferenciar transtornos que apresentam sintomas parecidos ou até mesmo antecipar doenças como o Alzheimer.
Mas a estrada não é simples nem rápida. para que a máquina aprenda, é preciso coletar volumes consideráveis de dados — e isso continua sendo um grande obstáculo: eletroencefalogramas podem ser imprecisos, e as ressonâncias são difíceis de produzir em grande escala. Nesse sentido, a pesquisa busca caminhos que possam viabilizar o uso de modelos laboratoriais mais robustos e reprodutíveis.
A história oferece lições para o ecossistema de tecnologia em saúde: a necessidade de governança de dados bem estruturada, validação clínica rigorosa e clareza de responsabilidades. Trata-se de um movimento que está alinhado com a ideia de Tecnologia Integrativa, na qual ciência de dados, neurociência e cuidado com o paciente se entrelaçam para ampliar o acesso a diagnósticos precisos sem abrir mão da ética, da privacidade e da humanidade do processo médico. A jornada revela um equilíbrio entre inovação, responsabilidade e o papel indispensável da intuição clínica que ainda opera no consultório.
🔍 Perspectiva baseada na notícia: IA criada por cientista da USP acerta mais de 90% em diagnóstico mental
🔗 Fonte