Desencadeando uma reflexão sobre empatia, ciência e liderança, a matéria revela um dilema humano antigo: a empatia costuma ser associada a mulheres, enquanto a noção de poder é pensada pelo viés masculino. A boa notícia é que empatia não é uma essência fixa nem exclusiva de um sexo; é uma habilidade que pode ser desenvolvida dentro de ambientes organizacionais que promovem motivação, responsabilidade compartilhada e bem-estar.
A empatia envolve compreender os pensamentos e sentimentos dos outros e responder de forma adequada; não é um traço imutável, mas um processo dinâmico que pode ser aprendido ao longo da vida.
A pesquisa aponta que, em média, há diferenças entre gêneros em algumas medidas, mas a variação dentro de cada grupo é significativamente maior que a diferença entre eles. Isso sugere que o ambiente — educação, cultura organizacional, incentivos — desempenha um papel central na expressão da empatia.
Enquanto alguns estudos discutem potenciais efeitos biológicos (como marcas hormonais no útero) na empatia, muitos cientistas destacam a plasticidade do cérebro e a forte influência da socialização. O consenso não é reduzir a empatia a genes ou hormônios, mas entender que ela resulta de uma combinação de fatores biológicos e sociais.
Para quem lidera, o recado é claro: empatia é uma competência que pode e deve ser cultivada. O poder verdadeiro está nas redes de colaboração, não no domínio de uma única pessoa. Além disso, vale lembrar que empatia pode também ser usada estrategicamente em negociações, o que reforça a necessidade de ética, clareza e responsabilidade.
Caminhos práticos que emergem para um ecossistema como o SPIND:
- repensar métricas de liderança para incluir competências relacionais;
- criar culturas que fomentem vulnerabilidade, diálogo e cuidado;
- reconhecer que o poder está em redes de colaboração;
- usar evidências de que empatia pode ser ensinada e estimulada com incentivos adequados.
Essa visão também desafia narrativas tradicionais de masculinidade, abrindo espaço para que homens exerçam responsabilidades de cuidado e expressão emocional de forma mais aberta. A ideia é transformar liderança autônoma em liderança interdependente, capaz de sustentar inovação, retenção de talentos e resiliência organizacional.
No âmbito do SPIND, isso se traduz em ações concretas: incorporar empatia como pilar da comunicação estratégica; estruturar espaços de vulnerabilidade segura; reconhecer que o cuidado é parte essencial da produtividade; e investir em práticas que conectem bem-estar a desempenho sustentável.
Ao equilibrar ciência e prática, abrimos caminho para uma liderança que vence pela cooperação, pela clareza emocional e pela construção de redes de apoio duradouras. A empatia não é apenas uma qualidade desejável; é uma alavanca para organizações mais conscientes, criativas e resistentes.
🔍 Perspectiva baseada na notícia: Mulheres são mais empáticas que os homens? O que diz a ciência
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